15/03/2026

Um hobby, não um compromisso

 Se fosse no outro blog, acredito que eu não estaria escrevendo agora, às 9:52 da manhã de um domingo, pois não iria gostar de acumular textos para os leitores. Coloquei um dos vinis que comprei ontem para tocar - é do Pink Floyd -e agora está tocando a música Time.Percebi que postagens espaçadas são uma besteira. Aqui se trata de um hobby, não tem agenda. Quando sinto a necessidade e tenho tempo, eu apenas escrevo. Não sei de onde surgiu essa cobrança comigo de postar X vezes ao mês.

Me sugeriram que seria mais cabível voltar atrás na minha decisão e continuar com o antigo blog, nos moldes de antes. Mas eu passei tanto tempo da minha vida acatando opiniões que eu não queria… Eu não deveria dar um peso enorme para algo tão simples e não estou. Finalmente, não estou.Posso aparecer aqui todos os dias, posso aparecer a cada dois meses, e está tudo certo. Eu compreendi que eu dava  peso a certas coisas porque eu não convivia com pessoas leves. Olha, tive que pisar em ovos por anos, pois pessoas do meu círculo social se ofendiam por eu apenas estar aqui, vivendo. E haja terapia para compreender que isso é mais sobre eles do que sobre mim.

Faz meses que repito para mim mesma que a vida é curta demais para certos dramas. Havia algo me incomodando em continuar onde eu estava, e eu acreditava que era sobre mudar e recomeçar. Mas nem era exatamente isso  era sobre voltar de onde eu recomecei. Confuso, não? Tudo bem… é mesmo.Parece que dividir meu Instagram em dois mostra que eu gosto de complicar as coisas, mas isso me deu uma paz enorme. Lembro-me de que a psicóloga com quem me tratei entre 2023 e 2024 ficava publicando em sua página de trabalho coisas hiper pessoais. Se ela fosse exceção, eu não teria mudado tanto de profissionais.

Percebi que o que me fez travar e não crescer como influenciadora dez anos atrás é que eu, pura e simplesmente, não ficava falando da minha vida para estranhos. Não ficava publicando desde a hora que eu acordava até a hora que eu ia dormir. Aqui, é menos da metade do que eu falo sobre a minha vida  isso se posso mesmo dizer que falo.Uma coisa que jamais fez o menor sentido para mim, ainda mais depois de ter sido assediada por um stalker, a ponto de isso sair da internet e ir para o mundo real. Nunca vi sentido em publicar a intimidade para ganhar dinheiro, vender a própria liberdade assim.

Se eu, que falava sobre a vida de forma superficial, me deparei com um stalker, imagine só alguém que fala abertamente - mesmo que de forma anônima -da própria vida, dá detalhes sobre onde trabalha, quando trabalha, para onde vai.E vejam só: estou aqui divagando novamente. Mas acredito que seja um ponto a se pensar, é algo que ando refletindo de fato. Eu gosto de ler quando as pessoas falam de algumas coisas mais pessoais, sobre o dia a dia, mas não à beira de um campo extremamente íntimo.Sendo bem sincera, eu só não desativei o outro blog de uma vez, por conta de quem me lê (isso se com tantas mudanças em um curto espaço de tempo, vai continuar a me acompanhar)

O assédio me fez enxergar a exposição de uma maneira mais cinza. Nem tudo precisa ser segredo absoluto, mas também nem tudo precisa ser mostrado. Talvez, no fim das contas, cada um precise descobrir onde está a própria linha  e aprender a respeitá-la.

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