Em cada momento que saio de casa para ir a um show, é uma emoção grande vivenciar a arte de quem admiro e que moldou meu estilo e essência. Mas também há uma ansiedade silenciosa que só quem é introvertidx conhece bem. Estar em um show deveria ser pura emoção, vivenciando a energia do local de forma intensa e intimista, mas, para mim, cada aplauso, cada grito ao redor é uma mistura de alegria e tensão. Neste relato, quero compartilhar como é vivenciar um espetáculo ao vivo quando seu lugar natural é mais nos bastidores do que no meio da multidão, entre sentimentos intensos que se misturam à necessidade constante de encontrar um refúgio no caos.
Minha ansiedade já começa durante o anúncio do evento, seja ele um cover em um bar, uma banda autoral pequena ou uma banda de calibre maior. A reação é sempre a mesma: a vontade de ir e a desistência, antes mesmo de estar com os ingressos em mãos. É complicado, pois o introvertido não é antissocial, mas a interação humana prolongada causa certo desgaste, o que nos deixa em casa por no mínimo, um mês.
As emoções invadem nossa mente; pensamos mil coisas e por vezes, não queremos pensar nada, apenas para manter a mente vazia. Mas sair é sempre um desafio para mim: há estímulos sensoriais que me incomodam bastante. Para mim, sair envolve um planejamento antecipadíssimo, ainda bem que datas de shows maiores são anunciadas com antecedência, assim posso me programar e trabalhar o emocional.
Se o show tem mais de uma hora, é como se meu corpo desligasse e ficasse ali inerte e avulso as coisas.Se eu possuo grana pra comprar camarote, eu compro.É como vivenciar a experiência com mais tranquilidade e poder sentar uma vez ou outra, é como tranquilizar a minha ansiedade e respirar com mais fluidez e menos afobação.Gosto de sair de casa, mas tem que ser tudo bem planejado, para que minha experiência não seja incompleta e eu estrague meu próprio dia.Mas assumo: a melhor parte é chegar em casa.


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário é muito bem-vindo!