Estou mais perto da menopausa do que de qualquer outra coisa. Sinto-me presa, por vezes, ao que já fui; noutras vezes, me sinto liberta. Mas estou mais fora do que dentro de mim. Não falo que estou fora de mim diante da loucura, pois esta é minha amiga já faz um tempo. Flerto com ela, a ponto de surtar. Falo que estou saindo de uma caixinha e, sim, me questionei sobre não me encaixar mais a moldes.
Sinto tédio no padrão. Não falo isso porque sou alternativa; falo que até dentro do alternativo há um padrão. Sinto tédio de ver as mesmas trends dez, vinte, cinquenta vezes num mesmo dia, em tão pouco tempo. Por vezes, me pergunto: “Será que essa pessoa tem uma alma, além da performance?”. Eu pareço não me encaixar e não me encaixo , pois tento (e consigo) imprimir a minha face em tudo que faço. Por isso que eu não cresço. Mas quem se importa? Talvez a Marcela de 20 anos atrás se importasse, tão jovem e insegura.
É que eu percebi que o tempo é curto, curto demais para se importar. Que a saúde é frágil demais para se importar em performar. Que a saúde está alinhada com nossa essência, e deixá-la de lado adoece. Por isso que eu não me encaixo. Não me encaixo nessa padronização louca de números, de dancinhas, de performance. Por trás da tela, há uma mulher humana, que está envelhecendo. E, por mais que em algumas noites isso lhe dê medo, em outros dias ela se sente abençoada por ainda estar aqui, em meio a tantos que se foram.
Eu estou envelhecendo. Eu não me encaixo onde não caibo, e acho bem melhor assim, pois nem sempre a minha mesa está posta. Nem sempre estou com saco de usar uma roupa bonita e uma maquiagem que imprime a minha excentricidade. E, mesmo assim, eu não deixo de ser eu. A minha performance é minimalista, pois é real, pois é a vida.
Que bom que eu não me encaixo!

